“-Fiz uma música e quero que você escute.
Puxei a cadeira que estava perto da prateleira e, entusiasmada, me sentei na frente dele.
-Eu vou ser a primeira a ouvir? Que máximo! É um louvor? - perguntei, amarrando o cabelo.
-Não - respondeu ele, sem me olhar.
E então ele começou a tocar uma melodia suave e tranquila, que me trouxe paz imediatamente. Sua voz doce se apoiava com harmonia e suavidade nos tons tocados. No início, pela letra, pensei que se tratava mesmo de um louvor, pois ele enaltecia alguém falando do prazer de sua presença. Com o decorrer da música percebi que ele cantava para uma mulher, para um amor. Ele se referia à pessoa como “águas tranquilas do meu coração”, exatamente como eu o imaginava para mim. Fiquei entorpecida com as palavras encantadoras e sua linda voz. Desejei ardentemente que ele tivesse escrito tudo aquilo para mim. Quando ele terminou, meus olhos estavam lacrimejantes.
Ele não olhou para mim de imediato e perguntou, afinando o violão:
-Gostou?
Não tive outra resposta, senão:
-É a canção mais linda que já ouvi na minha vida!
Ele olhou para mim com uma doçura nos olhos que antes nunca havia arriscado apresentar e confessou:
-Fiz para você.”
— A Bandeja, qual pecado te seduz?

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